Fruta da época

Somos feito de estações, já sentiste?
Compreender que o Outono acontece fora e dentro - acima de tudo, dentro - de ti. Compreender a renovação, os ciclos que começam e terminam, ciclos que são para simplesmente estar e outros para fazer. Compreender e aceitar. É como a tristeza, a melancolia, a Primavera e o Inverno. Vai e vem. Deixa vir, deixa ir. Aproveita o que de melhor tem.
 

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Amor incondicional e cooperação

Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza. 
Immanuel Kant
Ao amor incondicional e cooperação e ao entendimento de que todas as espécies - animais e vegetais - tem a sua função, a agricultura sintrópica aplica o imperativo categórico de Kant ao seu modus operandi, numa sintonia perfeita de três principios absolutamente interdependentes entre si.

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Não, não é.

Encontra o teu mínimo múltiplo comum. A equação certa entre o que a vida te dá e aquilo que realmente queres. Tu. Só. Não o que dizem que devias querer. Ou devias fazer, ou o que outros iguais - que não o são - a ti fazem e querem e pensam. Limpa, arruma, sacode, aspira, põe phones nos ouvidos para abafar tudo aquilo que está a interferir entre ti e o primeiro passo.
 

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Grão de areia

Há uns anos era incapaz de comer a mesma coisa dois dias seguidos. Hoje, sou capaz de repetir algo que goste até que me farte. Ou que acabe. É um all-you-shouldn't-do-in-a-bowl : tem manteiga de amendoim que agora dizem que não é assim tão boa para nós, tem as papas de aveia frias, quando geralmente se comem quentes, e tem a fruta ácida com a doce. But you do it anyway. Because grãos de areia and because it's good.

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In Bocca Al Luppo, ou uma pequena dissertação sobre a amizade

Existe aquele lugar onde vamos comer uma vez e não voltamos mais porque matámos a curiosidade e saciámos a vontade de o conhecer. Depois, existe aquele onde vamos porque é cómodo e prático e satisfaz a necessidade do momento. Façam as vossas analogias para estes dois. E depois existe aquele onde vamos e voltamos como quem volta a um bom amigo.
 

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É outra coisa.

Simplicidade. Comer o que o corpo pede. Calar tudo o resto e focar. Resistir a pesquisar no google sobre o que ele precisa, para parar por uns momentos e ouvi-lo, simplesmente. Um quadrado de chocolate. Algo salgado. Um grande prato de arroz. Melancia. Cogumelos. Ovos. Sumo de laranja. Um chili de feijão. Figos. Água. Ás vezes é só isso. Água. Afectos. Amor, do dar e do receber. Silêncio. Desligar. Sexo. Desenhar. Caminhar. Conversa. Família. Brincar. Mar. Sol. Às vezes o alimento é outra coisa.

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Objectivos

Há dez anos comecei a escrever com um objectivo. Tinha um problema. Vários até. Escrever e cozinhar foi terapia. Foi a maneira de trabalhá-los, de pensar sobre eles e acima de tudo de não pensar sobre eles. Foi remédio e profilaxia. Publicar o que escrevia e o mundo que descobria na cozinha era tornar claro para os outros aquilo que o olhar não deixa. Era mostrar a minha casa. Gostar um bocadinho mais de mim, perceber que até conseguia. Era alimentar a barriguinha e o ego também, sim. Monólogos. Conversas egoístas para quem quisesse parar e escutar. A escrita é o que fica por falar.
 

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F.A.Q (and others not so much) #1

Porque queremos contribuir para o esclarecimento daquele tio que faz sempre a mesma pergunta todos os anos à mesa de Natal, ou para elegantemente colocar no lugar o amigo subtilmente escarnecedor que só vemos uma vez por ano na reunião de turma, ou para esclarecer de forma rápida e eficaz aquela amiga de uma amiga de uma amiga que conhecemos num churrasco de fim-de-semana e que mostra um repentino e inusitado interesse na nossa dieta E porque queremos partilhar com aqueles que se identificam com os nossos valores e atitudes as nossas respostas àquelas perguntas que nos deixam sem saber se devemos iniciar uma longa discussão existencial, rir, chorar ou espetar o dedo no olho a alguém (são raras as ocasiões, mas pode acontecer).
 

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Chocapic

Se o Chocapic fez de mim uma criança menos saudável? Acho pouco provável, nunca irei saber. Não é algo que me tire o sono ou seja tema para psicanálise. Sinto-me feliz, da mesma maneira que o gosto da Cerelac cheia de grumos faz parte do meu universo infantil. O crepitar dos cereais quando os comia com leite aquecido. O aroma. Os lanches em frente à televisão. Uma memória muito particular que tenho da minha tia, que os servia num prato de sopa de vidro, dando-lhe um sabor que agora mesmo consigo sentir.

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The V Word.

Não digo sou vegetariana da mesma maneira que nunca disse sou omnívora. Isso em nada me define. Ser algo é antes de mais uma maneira de estar, são valores, são formas de pensar e de agir em conformidade. O que é ser vegan? O que é ser vegetariano? 
 

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O nascimento

Foi assim que surgiu o nome deste projeto. Sendo eu uma pessoa que preza manter as boas relações humanas e jamais entrar numa discussão feia sobre qualquer tema - neste caso opções alimentares - uma boa forma de encarar a bilionésima vez que me perguntavam "Então mas não comes carne?" foi com humor. Resolvi lançar para o ar um "Carne, só viva". E não é que resultou? Em vez de continuar num jogo de ping-pong onde cada um tenta mandar a sua bola com mais força a cada oportunidade de falar, surgiu um sorriso na boca do "adversário" e o tema morreu por ali.

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