sen·so·ri·a·li·da·de

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sen·so·ri·a·li·da·de
substantivo feminino
Qualidade do que é sensorial. = SENSORIALISMO

sen·so·ri·al
(francês sensoriel)

adjectivo de dois géneros
1. [Anatomia]  Relativo ao cérebro ou à parte do cérebro chamada sensório.
2. Relativo aos sentidos, à sensação.

 

Não é sensualidade. Não é sexualidade.
É fácil confundir quando não se presta atenção. 

Sensorialidade é algo que fica no meio, como a mão que toca um peito entre uma silhueta e uma camisa despida. É o quente que se sente entre duas bocas seladas e um baton vermelho. Sentir o toque frágil dos filamentos de um cogumelo nas nossas mãos, depois de contemplar a sua estrutura perfeita e antes de o cortar para transformá-lo em outra coisa. 

O calor de uma caneca de chá que entra na pele, entre o aroma que inebria os nossos sentidos e o conforto do seu sabor, e por falar nisso, é o aroma do ombro do outro, entre a boca que o morde e o arrepio que se sente. 
O som de uma folha de couve crocante a partir-se na nossa boca, depois de sair do forno e antes do momento em que lambemos os dedos depois de esvaziar o tabuleiro.
É quando a tua pele se arrepia por sentir a mão que está lá, mas que não toca, apenas com o quente que vem do outro corpo. É saber que o Inverno acabou pelo vento quente que toca nos pelos dos braços e nos pés e no pescoço descoberto e pelo chilrear desenfreado das andorinhas.
É a sensação directa, completa e reflectida do acto de comer que Brillat-Savarin imortalizou. É sentir o ar a entrar pelo nariz, parar só para tocar um pouco nas costas de uma mão, com os dedos da outra, é sentir com os olhos e provar com os ouvidos. Expandir e trocar os verbos entre os sentidos.

É fazer algo como se fosse a primeira vez, entre aquilo que o passado nos ensinou e o entusiasmo sobre o que o futuro tem sempre para nos mostrar.

Estar presente, entre a expectativa de um momento e a sua consumação. Estar presente nos entretantos, e estes, ligados a todos os sentidos. Sem analisar, sem julgar, sem expectativas, só reconhecer o que nos é revelado como se fosse um presente, e sentir.

 

E por falar em Brillat-Savarin, eis um projecto que fiz.

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