Miss Saigon

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Pela sensação de pôr um bom ponto final a um longo dia, pelo grande e necessitado parêntesis que colocamos a meio dele e simplesmente pela exclamação com direito a letras grandes, daquele especifico prato que estamos a precisar peremptoriamente. Com direito ao exagero que nos é devido, comer fora é, na dose certa, uma das nossas maiores indulgências.

Por vezes - mais que muitas na verdade - a expectativa excede a realidade, mais para mais se estamos em Lisboa. Seja pelo hype instagramo-facebook-zomatizado de certos restaurantes e fogo de vista das fotografias, pelos guias e revistas da cidade cuja curadoria é muitas vezes questionável, pelo incrivelmente pouco brio na consistência e qualidade da comida e do serviço, em estabelecimentos virados para o turista curioso, “trip-advisor-oriented” esfomeado, meio atordoado por uma mistura dos solavancos de tuk-tuk, brilhos de azulejos na cara ou imperiais desde as 11 da manhã, ou seja simplesmente pela subjectividade contida nos 0 a 5 das votações do público, que valem tanto quanto podem valer. 

Quando o assunto é restaurantes meat-free, a questão agrava-se. E tudo isto para dizer que o Miss Saigon, um dos nossos restaurantes preferidos, resiste a tudo isso e é por isso que o elegemos como o primeiro a merecer destaque aqui.
De segunda a sexta-feira, das 12:00 às 14:00 Cláudia Salú e Paulo Almeida apresentam-nos um menu diário de três pratos de fazer salivar só pela descrição. Podemos não fazer ideia do que é uma pastilla, ou uns korokkes ou um xinxim, mas sabemos que vai ser bom. É sempre bom. É imensa a gratificação que aficcionados por boa comida como nós sentem em ir à descoberta de novas combinações de sabor e saber que vai sempre correr muito bem. 

Todo este projecto é-nos ainda mais querido porque mostra que, quando se quer, é possível mesmo fazer a diferença em todos os pormenores - desde a origem biológica de todos os produtos, preferencialmente nacionais, de produções sustentadas, não OGM, de comércio justo e com qualidade certificada, ao cuidado com o desperdício mínimo até, obviamente, à utilização de produtos exclusivamente vegetais. Isto para não falar do site que é de um detalhe e cuidado imensos. A qualidade da comida, o cuidado e esmero na confecção e dos pormenores de cada prato é apenas uma extensão do amor que se verifica em todos outros valores do restaurante. 

O nome deriva de uma paixão entre o Oriente e o Ocidente e mostra-nos que é possível, sim, dar a volta ao Mundo em pratos tradicionais sem pesos no corpo ou na consciência.

 Podemos - e devemos! - reservar o prato de degustação que combina os três pratos do dia.

Podemos - e devemos! - reservar o prato de degustação que combina os três pratos do dia.

 E ainda podemos pintar no individual da mesa sem vergonha nenhuma!

E ainda podemos pintar no individual da mesa sem vergonha nenhuma!