Fazer amor

Quantas vezes prestas atenção ao que temos no prato enquanto comemos? Quantas vezes aproximas o nariz do prato ainda a fumegar como se quisesses que o aroma se infiltrasse dentro de ti? Quantas vezes páras, olhas e analisas conscientemente cada garfada? E, mais que mastigar não-sei-quantas-vezes até teres um bolo alimentar bonitinho para ser bem digerido, seres enólogo do que levas à boca, bailando cada pedaço languidamente com a língua, deixando passar o ar para enaltecer o seu aroma e sabor, com uma lentidão calculada em cada trinca, descobrindo cada textura, e perceberes o que isso desperta em ti? Ao que te remete uma singela avelã tostada? Uma garfada de arroz de feijão, aroma de uma açorda de espinafres, uma fatia dourada. De que forma isso mexe contigo e porquê? 
Quantas vezes olhas para a pessoa que amas num dia? Deliberadamente observar aquela pessoa - os olhos, a orelhas, os ouvidos, a boca, a testa, as mãos. Olhar com vontade de descobrir o outro mais um bocadinho que ontem, com vontade que ele nos descubra também. 
Fazer coisas que nos dão prazer e demorarmo-nos nelas premeditadamente, com a mesma urgência com que fazemos tanta coisa no dia a dia que não é urgente. Com a mesma importância que depositamos em metade da nossa lista de coisas a fazer num dia que não é assim tão importante. 
Porque é tão óbvio agendar uma ida ao dentista mas não tão óbvio um momento para amar? 
Qual foi a última vez que fizeste amor com a comida da mesma maneira que fazes amor com quem amas? Sem pressa, com intenção, contentando-te apenas com o melhor. Sem querer chegar a lugar nenhum, sem expectativa ou propósito se não o prazer de saborear o teu objecto de atenção, demorando-te nele e transformando o momento naquilo que tu quiseres. 

Experimenta coisas novas, brinca, explora e volta ao que te faz sempre feliz. 

Receita destas deliciosas kale crisps aqui.